Barra do Garças é destaque na Avianca em revista

por Konrad Felipe/Assessoria de imprensa da Câmara de Barra do Garças — publicado 07/12/2016 20h20, última modificação 09/12/2016 17h29
A última edição da revista “Avianca em revista” traz uma reportagem sobre Barra do Garças. A revista destaca o misticismo da Serra do Roncador e as belezas da região.

A última edição da revista “Avianca em revista” traz uma reportagem sobre Barra do Garças. A revista destaca o misticismo da Serra do Roncador e as belezas da região.

A revista é uma mídia a bordo das aeronaves da Avianca. A revista da companhia impacta cerca de 40 mil pessoas com conteúdo que aborda destinos nacionais e internacionais, gastronomia, cultura, arte e negócios, entre outros assuntos direcionados ao público alvo.

Confira a reportagem!

BRASIL DESCONHECIDO

Por Eduardo Vessoni/Avianca em revista

A SERRA DO RONCADOR, NO MATO GROSSO, É DAQUELES DESTINOS CÊNICOS QUE A GENTE CUSTA A ACREDITAR QUE EXISTAM, ONDE É POSSÍVEL SE SENTIR O ÚNICO VISITANTE NA IMENSIDÃO DE ATRAÇÕES MAIS ISOLADAS

A experiência é quase como voltar de uma viagem a outras dimensões. E, se ainda não encontraram o cobiçado portal para a Cidade Z, que tanto atraiu exploradores de todas as partes do mundo, a natureza da Serra do Roncador se encarrega de oferecer cenários que parecem lendas amazônicas contatas no pé de uma cachoeira. No sudeste do Mato Grosso, a mais de 500 quilômetros de Cuiabá, quedas d’água escorrem por paredões com mais de cem metros de altura; córregos seguem entre paredes estreitas de um cânion que rasga florestas de vegetação densa; e trilhas, ora são Cerrado, ora são Amazônia.

Mas tem hora que viram os dois. Endereço de histórias que se tornaram clássicos da literatura de aventura em plena Floresta Amazônica, a Serra do Roncador é uma sequência de montanhas com 800 quilômetros de extensão que segue imponente, entre Barra do Garças, no Mato Grosso, e a Serra do Cachimbo, no Pará. Contam também que o Roncador, cujo nome vem do ruído do vento, assistiu à aventura de um coronel excêntrico que, em busca de uma cidade perdida, teria sumido em terras nem sempre amigáveis.

Mais do que passagem para outros mundos, como Atlântida, segundo as lendas locais, este é um destino ainda pouco explorado pelos brasileiros. Mas a melhor história é a natureza que conta. A principal porta de entrada é Barra do Garças, cidade mato-grossense no sopé da Serra Azul, um braço da Serra do Roncador que viu a Marcha para o Oeste abrir novos caminhos no Centro-Oeste brasileiro, a partir dos anos de 1940. E desde então, nada parece ter mudado por ali.

Localizado a 380 quilômetros de Goiânia, o destino guarda endereços como o Vale dos Sonhos, distrito a 64 quilômetros de Barra do Garças, que serve como uma espécie de introdução aos clássicos do Roncador. Às margens da BR-158 fica o Bico da Serra do Roncador, atrativo místico que virou o cartão-postal do destino com suas formações rochosas esculpidas pelo vento e que assumem desenhos em forma de totem indígena, de santa e até do famoso Dedo de Deus.

Seguindo por estradas rústicas, em terreno acidentado e íngreme, o visitante faz a parada seguinte no Arco de Pedra, um mirante natural que se debruça sobre um vale de dimensões tão infinitas quanto o desejo de exploradores que passaram por ali em décadas passadas, em busca de cidades perdidas e ouro escondido. Nesta mesma manhã, visita-se a Gruta da Estrela Azul, um sítio arqueológico discreto com inscrições milenares em alto-relevo e desenhos geométricos; e as Cachoeiras Gêmeas, duas quedas paralelas de água que escorrem por paredões de um platô, a mais de 100 metros de altura, cuja base poucos se arriscam visitar, devido ao difícil acesso e à presença de onça-preta.

Para aventureiros Quem desembarca acompanhado de espírito preparado para roteiros mais exclusivos, segue por trilhas exigentes que levam a um dos cenários mais isolados da Serra do Roncador, onde é possível passar dias da viagem sem avistar um turista sequer. Não que faltem motivos, afinal de contas não é todo dia que a gente visita a parte de trás de um véu de cachoeira que cai sobre uma boca de gruta ou faz trilhas às margens de córregos que riscam o interior de cânions.

Mas são caminhadas puxadas que exigem disposição para trilhar mata fechada, em área de temperaturas elevadas, em uma espécie de sauna amazônica recompensada com banho de cachoeira. Na Fazenda Furna do Mineiro, os visitantes começam o dia sem pressa, com café moído na hora e almoço preparado com ingredientes do quintal, no fogão a lenha. É dessa casa rural, nas faldas das chapadas do Roncador, que tem início a trilha de acesso à Cachoeira do Cardoso, uma queda com 130 metros de altura que se esfumaça antes de atingir o poço de águas claras para banho. Em dias posteriores a chuvas fortes, novas cachoeiras escorrem pelos vincos daquelas muralhas rochosas de arenito vermelho, em frente à casa.

“Quando chove, muitos desses paredões se enchem de cachoeiras paralelas, chegando a 14 no total”, afirma Jorge, filho de João Cardoso, o velho guardião daquelas terras, que emprestou seu sobrenome para a atração. A caminhada de três quilômetros (ida e volta) em floresta fechada (e abafada) é de nível moderado e segue pela encosta do paredão que margeia a trilha até o atrativo, considerado uma das quedas d’água mais altas da região. “Uma das peculiaridades da Serra do Roncador é que a região foi, há milhares de anos, um grande mar raso que deu origem a sedimentações em camadas intercaladas de rochas areníticas e seixos”, explica o guia Ricardo Andrade.

Outra característica curiosa da trilha é a presença de vegetações de biomas brasileiros diferentes. É como colocar um pé no Cerrado e outro na Amazônia durante a mesma caminhada. Banho tomado, energias renovadas e é hora de pegar a estrada de volta até a próxima parada. A Cachoeira São Francisco é uma queda cênica, a 130 quilômetros de Barra do Garças, sendo que 60 quilômetros passam sobre o platô do Roncador, pela mesma estrada de acesso ao Arco de Pedra, no Vale dos Sonhos. Seu poço entre pedras escorregadias não permite banho, mas ninguém se importa com isso, sobretudo quando a visita se dá pelo interior de uma gruta, cuja boca se abre por trás do espelho d’água.

Para quem não se cansa de ver aquela monumentalidade toda, a cachoeira se deixa ser vista também por baixo, de frente e do alto, onde o banho é feito em águas calmas e represadas, sob quedas menores. Dali, o roteiro segue para o Córrego do Ouro, um complexo de quedas isoladas que ainda não foram descobertas pelo turismo, onde a força das águas deu origem a fendas em rochas que guardam piscinas naturais. Mas o melhor fica para o fim, uma viagem por uma sequência de cachoeiras de todos os tamanhos que formam poços para banhos que, mais adiante, rasgam cânions em direção à cachoeira seguinte, em uma fenda escondida na serra.

A mais alta tem 86 metros e se chama Bateia I, formando um poço de águas rasas e fundo arenoso que é rodeado por pedras que parecem cubos espalhados sob a base de um paredão rochoso. Logo vem a Cachoeira dos Duendes, um cenário em miniatura que faz a gente acreditar em terras de pequenos seres mágicos. As duas quedas seguintes correm paralelas, formando um tobogã natural que dá nome à atração: a Cachoeira do Escorrega, uma queda de três metros de altura que forma uma piscina isolada por paredes de um cânion que só pode ser acessado por aqueles escorregadores naturais ou por uma escada rústica feita com troncos de madeira.

Suas águas seguem até serem despejadas na queda seguinte, no Caldeirão da Bruxa, uma cachoeira com oito metros de altura. Dividido em três – Alto Bateia, Bateia e Baixo Bateia –, o local é recomendado para quem quer ver todo tipo de cachoeira, sem muito esforço, já que seu acesso se dá por trilhas curtas, mas não menos exigentes. Vale lembrar que por ali, guia e carro 4×4 são itens indispensáveis. Se você ainda achar pouco, tem também a Cachoeira da Pedra Furada, uma queda que passa por um buraco na rocha, e a Ponte de Pedra, uma passarela natural por onde seguem as águas do córrego Bateia, formando a cabeceira da Bateia II.

Assim como a Furna do Mineiro e a cachoeira São Francisco, o Bateia é um dos endereços exclusivos e isolados da região do Roncador, situado em áreas particulares e com acesso restrito. Localizado na Serra do Taquaral, outro braço natural do Roncador, na BR-070, esse complexo fica a 52 quilômetros de estrada (10 por estrada de terra). E a gente sempre termina a viagem com aquela sensação de que voltou de uma outra dimensão, daquelas que achávamos que só existia em lendas amazônicas, contadas no pé de uma cachoeira, em florestas escondidas.

http://aviancaemrevista.com.br/2016/12/06/brasil-desconhecido/